Contra a falta de autonomia dos carros elétricos, ruas elétricas

LONDRES – Na corrida para a construção de carros sem motoristas, o melhor é manter os olhos na estrada. Uma equipe formada por pai e filha criou o projeto Tracked Electric Vehicle, organização com sede na Escócia, no qual os carros movidos a bateria são recarregados enquanto trafegam por meio de uma faixa de metal embutida nas rodovias. O sistema é projetado para combater a preocupação dos consumidores em relação à autonomia. Eles temem que o carro elétrico possa ficar sem bateria antes de encontrar um lugar de recarga.

O programa chamou a atenção de construtoras do setor de infraestrutura como a ArcelorMittal, a OHL Group e a Heintzmann, que obtêm receitas com grandes obras públicas e entregaram ao projeto TEV o prêmio de melhor invenção do setor. Para o fundador do projeto, Will Jones, o sistema tem o potencial de manter os carros elétricos sem motorista na rua o tempo todo.

— É algo mágico — disse Jones, de 75 anos, dono de dezenas de patentes relacionadas à energia e também cofundador da fabricante de sistemas de baterias Philadelphia Scientific. — Se você alcança o contato direto, a densidade energética para carros movidos a baterias elétricas vai do inadequado ao infinito.

Seu TEV Project planeja construir sua primeira estrada de testes até o ano que vem a um custo estimado de US$ 1,2 milhão a US$ 1,8 milhão por milha, preço menor que o de uma rodovia tradicional. As empresas de infraestrutura estão observando o projeto com interesse.

— Como regra geral, as rodovias normais custam cerca de 30 vezes mais que o TEV Project — disse José Papi, presidente do conselho da Smart Transportation Alliance, a associação de empresas de infraestrutura que escolheu o TEV como melhor inovação. Seus custos por milha “são muito menores que o de qualquer outra ideia que já tenhamos visto”.

A TEV é uma organização sem fins lucrativos voltada a ajudar governos e empresas privadas a colaborarem entre si. Equipar todos os 264 mil quilômetros de rodovias federais dos EUA com a tecnologia poderia chegar a custar US$ 295 bilhões.

As rodovias do TEV Project teriam uma faixa de metal eletrificada embutida no meio da rodovia que forneceria uma fonte constante de energia ao veículo. Assim como os bondes e os trens do metrô nas cidades de hoje, os carros que trafegam em uma rodovia TEV poderiam ser recarregados enquanto trafegam. Jones descreve o conceito como uma fusão entre as ferrovias do século 19 e as rodovias do século XX para sustentar uma nova rede de transporte à base de energia limpa.

Há 1 bilhão de carros nas estradas do mundo atualmente e apenas 0,1% delas contam com tomadas de energia. As vendas de veículos elétricos aumentaram 60% no ano passado e crescerão outros 46% neste ano, segundo dados da Bloomberg New Energy Finance, e a frota dos EUA é formada por 460 mil veículos do tipo. A quantidade é bastante menor que a massa crítica necessária para conseguir apoio federal para a infraestrutura.

A Administração Federal de Rodovias dos EUA pediu cerca de US$ 49 bilhões no ano passado para cuidar do sistema rodoviário usado por um total estimado de 258 milhões de carros movidos a gasolina do país.

— A implementação de uma estrutura como a do TEV Project seria um significativo desafio de custo. Pode haver dificuldades também para conseguir que as fabricantes de automóveis colaborem entre si em termos de padrões para a conexão entre o veículo e a estrada que eles estão propondo — disse Colin McKerracher, chefe de análise de transporte avançado da BNEF.

Até o momento, a maior parte da pesquisa foi direcionada ao aumento da capacidade das baterias para ampliar a autonomia. Fabricantes como Tesla Motors e General Motor estão desenvolvendo baterias melhores para cobrir distâncias maiores.

Contudo, nem mesmo as melhores baterias podem funcionar sem as estações de recarga. Havia um total combinado de 160 mil estações públicas de recarga nos oito maiores mercados para carros elétricos do mundo, segundo os dados mais recentes. A infraestrutura de transporte ainda está tão orientada à gasolina que até mesmo o estado da Califórnia, nos EUA, tem mais de três postos de gasolina para cada estação de recarga elétrica.

— A infraestrutura de recarga é um obstáculo ao crescimento do mercado de veículos elétricos — disse McKerracher, que também pontuou que o alto custo dos carros elétricos continua sendo o principal impedimento.

O TEV está procurando desenvolver seu conceito na Universidade de Newcastle, no Norte da Inglaterra, onde ainda discute o financiamento para os próximos dois anos. Sua subvenção seria parcialmente financiada pela Innovate U.K., uma agência do governo.

 

Fonte: http://goo.gl/mziISK

Carros elétricos estão isentos de imposto de importação

 

A vida dos carros elétricos e híbridos no Brasil começa a melhorar. Na cidade de São Paulo, estes veículos já têm desconto de 50% no IPVA e estão isentos do rodízio. Agora, passarão a chegar ao Brasil pagando menos impostos. Nova resolução publicada no Diário Oficial da União (DOU) isenta elétricos e carros movidos a hidrogênio do imposto de importação de 35%. Para híbridos já valia outra resolução que estabelece imposto entre 0 e 7%, dependendo do índice de nacionalização e da eficiência.

O benefício veio da inclusão dos carros 100% elétricos e movidos a hidrogênio na Lista de Exceções à Tarifa Externa Comum (Letec), e beneficia carros que chegam montados e desmontados, o que pode motivar não apenas a importação de carros elétricos, como também a montagem deles no Brasil em regime CKD. O impasse agora é por IPI menor. Estes carros pagam 25%, contra 7% de carros 1.0, por exemplo.

 

Hoje o único elétrico vendido no Brasil é o BMW i3, que pode ter um motor a gasolina para aumentar sua autonomia. Renault, Nissan, JAC, Mitsubishi, Volkswagen, Fiat e BYD têm elétricos no Brasil, mas apenas para usos específicos e divulgação, não para venda ao consumidor. Entre os híbridos a oferta aumenta, com Toyota Prius, BMW i8, Ford Fusion Hybrid, Lexus CT200h e Mitsubishi Outlander PHEV.

A tendência é que a oferta destes veículos no País aumente rapidamente, em poucos meses. A Toyota, que já traz o Prius, poderia passar a importar também o Mirai, seu novo carro movido a hidrogênio e lançado recentemente lá fora.

Fonte: http://goo.gl/UFV733