O que fazer ao presenciar um acidente na estrada?

Quem nunca se deparou com um acidente na estrada? Ao longo dos anos, as rodovias têm se tornado cada vez mais perigosas. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), entre 2009 e 2013 o número de acidentes de transito no país deu um salto de 19 por 100 mil habitantes para 23,4 por 100 mil habitantes, o maior registro na América do Sul. O mesmo estudo mostra também que somente em 2013, mais de 41 mil pessoas morreram nas estradas brasileiras, sendo a colisão frontal o tipo mais letal de acidente.

No meio disso tudo, é comum se deparar com a falta de preparo dos motoristas em situações de estresse ao presenciar um acidente na estrada. Muitas pessoas – seja para ajudar ou apenas por curiosidade – costumam desacelerar e até mesmo parar o carro quando se deparam com uma ocorrência. Mas quais são as recomendações para quem presencia um acidente na estrada? O Pé na Estrada conversou com alguns especialistas sobre o assunto.

Devo parar?

Segundo Nivaldo Bautz, engenheiro de Saúde e Segurança do Trabalho da CART, o motorista só deve parar na rodovia quando encontrar um local seguro e que não interfira em sua própria segurança. “Ao parar, evite ficar dentro do veículo e, caso seja necessário permanecer, sempre use o cinto de segurança. Jamais dê as costas para o fluxo de veículo e nem permaneça entre o carro e a pista”, ele adverte. Na rodovia ainda existe o risco do carro ser atingido por outros automóveis, por isso Bautz aconselha que a velocidade seja diminuída gradativamente e que o pisca-alerta seja ligado.

Depois disso, recomenda-se que o serviço de resgate da rodovia seja acionado. A CCR AutoBAN atende no telefone 0800 055 5550. Já a CART faz seu atendimento pelo número 0800 773 0090.

Caso a pessoa não saiba o número de emergência da rodovia em que está trafegando, o recomendado é acionar o serviço de atendimento pré-hospitalar, que no Brasil é oferecido pelo SAMU (192) e Corpo de Bombeiros (193).

Assim que o contato for feito, a pessoa pode, caso haja necessidade, sinalizar o local do acidente, com triângulo, faróis e até galhos de árvore, para orientar os motoristas.

Acidentes com vítimas

É importante destacar que, caso haja vítimas, não se deve movimentá-las, tocá-las ou dar algo para comer e beber. “Essas ações podem agravar ferimentos internos ou externos da vítima. Caso a vítima esteja consciente, deve-se conversar com a pessoa, acalmá-la e informar que o socorro está a caminho”, completa Bautz.

Carga perigosa

Em caso de cargas perigosas, os riscos são ainda maiores. De acordo com João Moacir da Silva, coordenador de tráfego da CCR AutoBAN, existem recomendações específicas para esse tipo de acidente na estrada. Elas são:

  • Nunca se aproxime do veículo;
  • Tente, se possível e de forma segura, identificar o produto envolvido;
  • Informe a concessionária que administra a rodovia;
  • Evite contato físico com qualquer líquido derramado, vapor ou poeira;
  • Fique sempre de costas para o vento. É importante alertar outras pessoas a fazer o mesmo;
  • Em caso de suspeita ou contaminação procure socorro médico imediatamente; considere que suas roupas também podem estar contaminadas.

Ocorrência em andamento

É comum que muitos motoristas ao se depararem com um acidente na estrada, desacelerem seus veículos ou até mesmo os parem por curiosidade. É importante oferecer ajuda quando necessário – inclusive, essa ação pode até mesmo salvar vidas. Entretanto, se os envolvidos no acidente já estão sendo atendidos, o recomendado é que o motorista não pare e mantenha a velocidade, a menos que seja necessário diminuí-la, além de redobrar a atenção à movimentação de veículos.

O coordenador de tráfego da CCR explica que parar para observar uma ocorrência ou simplesmente dirigir devagar pode reter o tráfego, ocasionando um novo acidente, até mesmo mais grave que o primeiro, em função das experiências obtidas com colisões traseiras. Estas totalizam 22% das colisões em acidentes de trânsito, de acordo com o Relatório de Investigação de Acidentes em São Paulo da CET.

Via Pé na Estrada

ANTT divulga novo cronograma para atualização do RNTRC

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) publicou no Diário Oficial da União de hoje (21) um novo cronograma de operacionalização da identificação eletrônica dos veículos de cargas cadastrados no RNTRC. Os prazos para atualização do RNTRC vão até dezembro de 2018.

A programação de instalação tem início com um grupo voluntário, ou seja, aqueles transportadores de qualquer estado que têm interesse em instalar, prontamente, a tag eletrônica em seus veículos. O período para esse grupo vai de 1º/8 a 7/1/2018. A partir do dia 8/1/2018, os grupos são separados por ente federado. O grupo 1 inclui os veículos com placa do Distrito Federal e de Goiás; os veículos de Minas Gerais formam o grupo 2; o terceiro grupo é composto pelos veículos do Estado de São Paulo; Rio de Janeiro e Espírito Santos compõem o grupo 4; o grupo 5 é formado por Mato Grosso e Mato Grosso do Sul; Paraná e Santa Catarina são o grupo 6; Rio Grande do Sul forma o grupo 7; e os demais estados fazem parte do grupo 8. Confira, na tabela abaixo, o período de instalação cada um dos grupos:

grupos

cronograma

Regras

A Resolução nº 4.799/2015 dispõe sobre as regras para a operacionalização da inscrição, atualização e recadastramento do RNTRC. A última etapa desse processo é a identificação eletrônica dos veículos. Esse mecanismo contém uma chave eletrônica que será associada à identificação do veículo e do transportador, na base de dados da ANTT. Assim que as antenas coletarem essa chave no registro de passagem, serão verificados os dados do transportador e do veículo.

O processo de fornecimento da TAG será realizado pelas Administradoras de Meios para Arrecadação Eletrônica de Pedágio (AMAPs) e pelas fornecedoras de vale-pedágio obrigatório consideradas aptas pela agência reguladora. Veja aqui a lista das empresas.

 

Quanto devo pagar pela atualização do RNTRC?

Anteriormente o registro era gratuito, o motorista podia se cadastrar em qualquer lugar do Brasil e os adesivos podiam ser feitos em qualquer gráfica, ou seja, o motorista conseguia negociar preço e não era explorado. Agora a regra mudou. Segundo a ANTT não existe taxa, apenas um pagamento para cobrir as despesas que cada local tem para fazer o registro, ou seja, matéria-prima para adesivos e certificado, um eventual empregado extra contratado por conta do aumento de demanda e esse tipo de coisa. Mas acontece que tem gente pagando caro pelo RNTRC. Aqui no Pé na Estrada já recebemos recados de gente que pagou R$ 400, R$ 600 ou até R$ 800 pelo registro. Como agora o caminhoneiro só pode fazer o registro em seu município, fica fácil de entidades mal intencionadas se aproveitarem da situação e cobrarem o quanto quiser. O Sindicam/SP cobra R$ 135,00 pelo registro e seu presidente, Norival de Almeida Silva, encoraja os motoristas que reclamem e denunciem locais que cobrem muito mais que isso.

Além disso, você pode exigir um comprovante ou recibo na hora da atualização do RNTRC. A ANTT respondeu ao Pé na Estrada sobre o assunto: “Os Transportadores podem, se quiserem, exigir de suas entidades a exibição desses valores para fins de comparação”. O sindicato não emite nota fiscal, mas o motorista tem o direito de pedir um recibo que prove quanto foi pago pela renovação do RNTRC.

Via Pé na Estrada